Nova enquete do blog mobilidadeurbanarp.blogspot.com aborda a questão do trânsito de Ribeirão Preto, SP. Responda quantas vezes quiser e, se sua opção for “Outros”, deixe seu comentário abaixo dessa nota. Aqui, é o momento para você colocar a sua opinião... Não deixe de participar. Espero pelo seu voto!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
Trânsito - sobre as notícias em RP
Ribeirão Preto parece que acordou para o trânsito. Porém, só parece. Ao escolher a política econômica que permite a todos comprar aquilo que é desejado, diante de um transporte público precários, compram-se mais automóveis e motocicletas. Ora, com razão, todos querem mobilidade, precisam se deslocar. Sem uma política de mobilidade o resto é resto. Ou melhor, tudo que se faz, faz para minimizar o problema. Vejamos: a comissão especial de estudo (CEE), presidida pelo Sr. Samuel Zanferdini, na verdade é um estudo para verificar o sistema viário, o que promove o trânsito, mas não é o trânsito. O sistema viário, sabe-se, beneficia o automóvel, o mesmo que, através de seus donos, agora, promove revolta contra os flanelinhas. Ora, os flanelinhas fazem trabalho desonesto, mas também se sabe que do mesmo modo que estes, os automóveis tomaram as ruas. Desse modo, eu não vejo quem tem razão, da mesma maneira que não vejo razão para a regulamentação dos mototaxistas e de se pagar por estudo de mobilidade urbana. Talvez muitos vão ficar bravos ao ler isso, mas estou ajudando-os, principalmente os mototaxistas. Neste jornal ( jornal A Cidade) comparou-se RP com Campinas: que venham os viadutos, vamos beneficiar os automóveis novamente. Muitas pessoas reclamam do trânsito, principalmente os motoristas e então o promotor cai na armadilha. Sugere-se o plano de melhorias de segurança do trânsito. Quem morre no trânsito são os pedestres, assim, a segurança que se fala tem intenção de se evitar colisão e novamente se pensa no motorista. “Prematuro” é ficar discutindo o que se está discutindo em RP sabendo que nada disso resolverá o problema de mobilidade. É preciso mudar muita coisa e a primeira é colocar a cultura do automóvel de lado, porém, para isso, é preciso assegurar o uso dos demais meios de transporte. Mas, quem faz isso?
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Assim caminha a humanidade! Caminha?
Ribeirão Preto, SP, em 2009 contava com 380.945 veículos. Com crescimento de 18.000 veículos, sendo 3.000 por mês, alcançou a marca de 398.527 veículos, até julho de 2010 (jornal A Cidade, 24/10/10; TRANSERP, 2010).
Agora faltam 200.000 veículos para que todos tenham, pelo menos, uma carroça.
Claro que não é tão simples a distribuição, mas queremos chegar nesses números?
Por outro lado, temos 310 ônibus, distribuídos por 84 linhas. Alguém vai de transporte público?
OPS! Não conseguimos carregar. Vá a pé! Risos.
domingo, 5 de setembro de 2010
Ciclofaixa Feliz
Muito boa a iniciativa da Prefeitura de ligar, aos domingos, os parques recreativos do município de Ribeirão Preto, SP, através de uma ciclofaixa. Porém, essa atitude não encoberta a falta de ciclovias e ciclofaixas em todo o município que, nesse momento, só tem uma ciclovia, aquela construída pela USP! O lazer é importante, mas dar condições para que ciclista pedale, não apenas de domingo, seria mais interessante e saída para o problema daqueles que precisam da bicicleta para trabalhar, todos os dias. Assim, a iniciativa é considerada por mim uma “ciclofaixa feliz” já que ela não incentiva o uso desse veículo como meio de transporte, mas sim para a atividade física por meio do lazer (ciclofaixa do lazer). A qualidade de vida é feita quando todos têm a possibilidade de realizar a mobilidade urbana e quando os meios não motorizados e motorizados coletivos são incentivados no município.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
A EVOLUÇÃO DOS MENDIGOS NO CAPITALISMO
Mendigo é aquele que pede esmolas. Qualquer que seja o trocado (dinheiro) ou o que for doado é lucro. Não há uma taxa imposta normalmente, doa-se o que tiver, porque no caso, já está colaborando com o esmoleiro. No complexo mundo moderno mendigar pode ter uma taxa mínima e pode se tornar emprego; reflexo do sistema econômico que exclui as pessoas e que tem como forte aliado a falta de segurança do Estado para com os cidadãos: cria-se a violência.
O novo emprego de que estou falando é o de “Guardador de Carros” (ou “olhador de veículos”). Este emprego é fruto do sistema que acabo de mencionar no parágrafo acima: a evolução dos mendigos no capitalismo. A falta de segurança e a de impunidade para as pessoas juntamente com a falta de fiscalização pública aos atos ilegais pela cidade gera uma violência psicológica e faz com que você pague pela taxa estipulada pelo esmoleiro.
O “Guardador de Carros” é uma pessoa que se passa por um mendigo se apropriando do espaço público para “cuidar” de um bem de terceiro sem nenhuma garantia do serviço prestado. Ou seja, paga-se por um serviço que não se tem garantia se o terá, mas paga-se porque sofre de violência psicológica; essa é uma das várias tentativas de definições para tal atividade, a pessoa e o seu emprego de Guardador de Carros.
Assim, paga-se para olhar de um bem como se esse estivesse em perigo ou provavelmente sofreria algum dano material como se fosse cabível dizer: “eu vou olhar o que eu quiser e você terá que me pagar porque eu estou trabalhando” (como as nossas casas, com os motoqueiros pelos bairros). Logo estarei andando e alguém estará me vigiando: “eu estava te observando e fazendo a sua segurança, então, depois, deixe uma grana pra mim ‘chefe’, quando for embora”.
Assim, se apropria de espaço público privatizando-o por um período sem ter uma permissão da Administração Pública e sem pagar impostos. Além disso, cobra a taxa que acha conveniente para o evento como, por exemplo, boate R$ 5,00 e futebol R$ 10,00.
Assim, paga-se o IPVA, o licenciamento, o alarme e o seguro particular para ainda viver na insegurança de ter que se confrontar com um Guardador de Carros que te recebe em um tom ameaçador.
Como a Administração Pública aceita a ilegalidade, nesse caso e em vários outros, então ela deveria pelo menos legalizar essa atividade cadastrando e conhecendo essas pessoas. Pois, como já visto, a maioria tem passagem pela polícia e seria bom para todos que a Administração fizesse um trabalho social, incluindo essas pessoas novamente no mercado de trabalho. Ou outra alternativa também muito interessante é a da Economia do Equilíbrio: regulariza-se o serviço, contrata-se uma pessoa como um “agente da Área Azul” e o coloca para fazer o mesmo serviço do Guardador de Carros, cobrando uma taxa simbólica (aí será preciso colocar policiamento para fazer a segurança de todos e, principalmente, do agente). Essa taxa se reverteria para o salário desse agente, assim, temos algo regularizado, seguro, sem despesas para a Administração Pública. Além disso, como esse trabalho dará mais dinheiro do que o próprio salário fixo do agente, o que sobrar poderia ser revertido para um investimento do emprego e em bonificações aos policiais da base da região, por exemplo, da central.
Essa é uma discussão que já deveria ter sido feita, mas nos parece que é muito mais interessante pular o carnaval. Está na hora de parar de mostrar a cidade e começar a enxergar a cidade. Já tem muito tempo que Ribeirão Preto vive da propaganda e provavelmente vai continuar, visto o investimento de 5,9 milhões de reais. Comece lutando para abaixar o álcool; reorganizando a cidade para que todos possam se deslocar da maneira que quiser, de forma segura; reorganize os serviços prestados; faça a fiscalização funcionar, comece... e, voltando a temática, para eu assistir a um jogo no estádio do Botafogo preciso ir de carro porque não tem outro jeito de me deslocar até lá e a dor de cabeça já começa com os R$ 10,00 que eu preciso deixar para os “Guardadores de Carro” como se realmente fosse um serviço seguro. Assim, Copa do Mundo só chegaria aqui por pura propaganda, porque infra-estrutura adequada o município não tem para oferecer nem para os seus moradores. São coisas pequenas que fazem falta no nosso dia-a-dia.
André Barioni (texto publicado no jornal Enfoque Ribeirão, fevereiro de 2010).
sexta-feira, 30 de julho de 2010
TRÂNSITO E MOBILIDADE URBANA EM RIBEIRÃO PRETO
André Barioni*
O artigo abaixo foi publicado no jornal Enfoque Ribeirão Preto (Julho/2009). No texto, procurei demonstrar na praticidade o que é a Mobilidade Urbana. Leia e faça comentários.
Falar de trânsito quando todos estão certos de que não tem culpa é algo complicado. O trânsito nada mais é do que a concentração de veículos ou pessoas em um determinado espaço se movimentando. Onde há elevada concentração, damos o nome de congestionamento.
Para explicar o nosso trânsito, o nosso problema, devemos levar em consideração que Ribeirão Preto possui um dos maiores índices de veículo por habitante. Em 2007, de acordo com a TRANSERP (2008), eram 1,7 pessoas por veículo. Também devemos considerar o preço da tarifa dos ônibus e a sua eficiência para os usuários realizarem seus deslocamentos, ou seja, aquele que pode, busca alternativas diferentes para se deslocar. Mulheres, crianças e idosos são os principais usuários dos ônibus, junto às pessoas que não possuem ainda condições financeiras para sair deste.
Atualmente há duas linhas de pensamento sobre o trânsito, uma que acredita que este é provocado pela quantidade de veículos em uma cidade, e a outra, que acredita que é pela falta de investimento no transporte público. Uma discussão, que é o que geralmente acontece, não leva a nada, pois as duas linhas estão corretas. Para alguns autores, os problemas de trânsito fazem parte de um círculo vicioso: as pessoas param de usar o transporte público (por motivos óbvios) e isso provoca um aumento de veículos nas vias. Veja, esse aumento não é culpa das pessoas que deixam de usar o transporte público, pois ninguém classifica quem deve usar ou não um tipo de transporte.
A mobilidade, muito mais do que o simples deslocamento, é a condição geral que o indivíduo tem para realizar esta ação, a disponibilidade de tipos de veículos e a infra-estrutura que existe. Por exemplo, não há infra-estrutura adequada em nossa região Sudeste que nos permita ir a outros lugares que não seja com veículos motorizados. Quem anda de bicicleta na Av. Maurílio Biagi com certeza entende o que estou dizendo. A bicicleta é um meio de transporte e deve ser usada como tal, mas, para isso, nós precisamos de condições.
Muitas críticas e sugestões são publicadas sem respaldo científico, então, na função de cidadão pesquisador da área, enuncio alguns fatos que aqui ocorrem. Não entendam como provocações, mesmo porque não tenho interesse em discuti-las além dessa coluna.
Ao pensar em Mobilidade Urbana, começo a refletir sobre as condições gerais do município: 1. Agentes do trânsito (marronzinhos) e radares em horário comercial; isso prova vários interesses, sendo o principal deles a aplicação de multas. Os acidentes mais graves ocorrem à noite e nesse horário não é feito o trabalho, ou seja, os acidentes graves não são prevenidos. Além disso, os agentes não tem o dever apenas de multar, devem educar e organizar o trânsito quando este possui algum problema. Com freqüência vemos pontos congestionados, mas nenhum agente tentando “educar o trânsito”; 2. Pouca eficiência para remover (resolver) um acidente de trânsito do/no trânsito! Essa falta de eficiência provoca congestionamentos, principalmente na área central, onde a infra-estrutura não suporta muitos veículos, por ser uma malha viária antiga, de uma época em que havia menos carros. 3. O shopping é um subcentro privado e pode cobrar pelo estacionamento; mas é um mito dizer que isso ocorre devido à falta de vagas para usuários, sobrecarregando de culpa apenas os funcionários. O fato é que estacionamento é garantia de lucro. Se o shopping tivesse realmente interesse em desocupar vagas, investiria no transporte público da cidade. Isso motivaria muitas pessoas a irem de ônibus por causa do preço do estacionamento, principalmente os funcionários, que gastariam bem menos por não precisarem sustentar veículos particulares. Mas, a parada do ônibus fica longe e é o “transporte público” da cidade, o que já diz tudo!
Tenho mais alguns fatos para colocar, os quais ficarão para o próximo texto, pois as discussões são mais delicadas.
* Mestrando do Instituto de Geografia/ Laboratório de Trânsito e Transporte - IG/LATRAN - Universidade Federal de Uberlândia - UFU/MG.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
AS IDEIAS DAS PESSOAS DE RIBEIRÃO PRETO-SP, BRASIL PARA O TRANSPORTE PÚBLICO
TRANSPORTE COLETIVO
Vicente Golfeto – para o jornal A Cidade (15/07/2010)
Redigido por: André Barioni
Os transportes coletivos nas cidades atuam sob as formas de monopólio ou de cartel. Este normalmente nasce de um oligopólio que é uma situação de mercado em que existem poucos produtores e/ou vendedores de um serviço ou de uma mercadoria e uma quantidade muito grande de compradores. O oligopólio facilita a formação de cartel que nada mais é do que um acordo entre empresas a fim de eliminar a concorrência, prejudicando o consumidor.
É por isso que, como energia elétrica, derivados energéticos de petróleo – sobretudo gasolina – telefonia, água, dentre outros, são produtos adquiridos mediante tarifa. E não preço. A tarifa é um preço administrado enquanto o preço é resultante da lei da oferta e da procura.
Além da falta de concorrência os transportes coletivos precisam ocupar um local especial nas prioridades da política urbana de trânsito. No caso da tarifa, é preciso que ela seja revogada pelo próprio mercado. Instaurando a concorrência, pluralizando a oferta dos serviços por diversas empresas, os transporte coletivos podem começar a melhorar. Com preços mais módicos.
No amplo e conturbado campo do trânsito, os transporte coletivos precisam ser priorizados. Omnibus, em latim, quer dizer para todos. Um ônibus – fácil ver – transporta muito mais pessoas do que um automóvel, transporte individual. O trânsito é uma instituição democrática. Que é o império da maioria.
Em sendo império da maioria, ônibus – instrumento do transporte coletivo – tem que ter artérias especiais para circular. Aumentaria a velocidade, atenderia mais pessoas e melhoraria o I.P.K que é o índice de passageiro por quilômetro rodado.
********
Resposta de André Barioni*
Transporte “Público”
Caro Golfeto, o trânsito não é uma instituição democrática e nem tudo é feito por concorrência. Além disso, sabemos que o mercado é injusto por natureza e não cumpre a lei da oferta e da procura, como você mesmo colocou quando citou o oligopólio, e, depois, se contrariou, quando disse que Ribeirão Preto-SP precisaria ter mais empresas oferecendo o serviço de transporte público. Ora, a consequência disso é o aumento do problema social que já existe com os meios de transporte e a circulação. Mais empresas não garantem qualidade de serviço, veja São Paulo. Mas, continuemos com a tarifa, pois este é o motivo pelo qual escreveu o texto. Os problemas são os círculos viciosos, como o da tarifa: aumenta a tarifa e mais pessoas deixam de usar o transporte público. Como quem deixa de usar são os usuários/trabalhadores (comum – paga toda a tarifa), que podem fazer isso e, que não podem depender da “vontade” do sistema de transporte, faz sem perceber que prejudica ainda mais o sistema. Porém, eles não podem ser responsabilizados. Assim, sobram os idosos (que são isentos da tarifa) e os adolescentes/estudantes (que pagam por meia tarifa). Dessa forma, já que estes não pagam o suficiente para o serviço funcionar, aumenta novamente a passagem e, mais pessoas deixam de utilizar o sistema, gerando, com o tempo, outro círculo vicioso: o do transporte urbano. Estes são os mais graves problemas do transporte público em países em desenvolvimento, os círculos viciosos que acontecem por falta de políticas públicas que não priorizam o transporte público, apesar de vivermos em um país democrático, como você mesmo disse. Veja, os idosos e os estudantes têm esse direito e não estou aqui discutindo isso, porque, se fosse, incluiria os estudantes também como isentos. Além dos círculos viciosos, o transporte público tem outros problemas, como o de não conseguir oferecer serviço eficiente em relação às possibilidades para as pessoas realizarem diversas atividades pelo itinerário, como os outros meios de transporte oferecem. Mas, apesar de ter que melhorar em muitos aspectos, acredito que ele não precise de concorrência e de tarifas diferenciadas, conseguidas com a invasão de mais empresas. De acordo com a Constituição o transporte público é um serviço essencial, público. Então, se o caminho for o do mercado, é preferível fazer como em Nova York, comece a estatizar o transporte público porque o mercado não dá conta, como agora, que é preciso reajustar novamente a tarifa. O correto é o subsídio, e a tarifa ao preço de um real ou menos. Isso incentivaria o seu uso. Ora, e novamente, a Administração Pública, assim espero, não quer piorar o problema social que já existe com a circulação e os meios de transporte, então, esqueça a concorrência e simplesmente assuma que a falha é a gestão pública.
*André Barioni, mestrando em Geografia dos Transportes.
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