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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

De “cartão postal” no século XX, ao abandono no século XXI

O ano é 2022, e vamos falar de uma avenida centenária do nosso município. É a “Avenida Independência”, em Ribeirão Preto, que aliás, merece mais atenção de todos, em especial da gestão municipal. Para comemorar o centenário da Independência do Brasil foi inaugurada em 1922 a Avenida “Nove de Julho”, mas com o nome de Avenida Independência. O seu nome foi alterado em 1934 para Nove de Julho, em mais uma homenagem, agora à Revolução Constitucionalista de 1932[1].

Nasceu pequena, mas percebam que com grandes homenagens, pelo menos nos nomes. O seu trecho inicial compreendia a área entre as ruas Tibiriçá e São José. Os estudos para o seu prolongamento vieram em 1949. Junto, também vieram as Sibipirunas (40 árvores, nativas, Mata Atlântica, de grande porte) e os paralelepípedos, pelo menos entre as ruas Barão do Amazonas e Cerqueira César[2].


Durante a década de 1960 a avenida abrigou algumas das principais mansões de propriedade da elite econômica da cidade; posteriormente em função de sua posição privilegiada (vetor sul da cidade) consolidou-se como um importante setor bancário. Em 1981 existiam 04 agências de bancos internacionais e nacionais instaladas na Avenida Nove de Julho, já em 1987 existiam 12 agências, e no ano de 2000, 25 agências. <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/portal/arquivo-publico-historico/avenida-nove-de-julho>.

 

Ela continua famosa, linda e charmosa, mas sua importância para a gestão municipal não está à altura. Tanto que na modernização do traçado do transporte público ela não é nem citada. Pelo menos a sociedade não está sabendo. O que temos anunciado por jornais é a construção do primeiro túnel de Ribeirão Preto, passando por baixo da avenida Nove de Julho, para ligar as avenidas Independência e Presidente Vargas. E veja só, essa obra está parada por tempo indeterminado[3].

De uma das mais belas avenidas do interior paulista, das principais mansões abrigando a elite cafeeira, refletindo as influências da Belle Èpoque[4], a ponto de encontro e a prostituição e lazer. Ainda cedo usa-se esta avenida para caminhar, correr e fazer exercícios. Mas nada disso sobrou, nem mesmo a prostituição, que se deslocou para o Boulevard.

De residencial a comercial. Entravam em cena as fachadas e painéis luminosos que não duraram muito. Até recentemente tinha sobrado um exemplar na Casa da Clube, mas que nem isso existe mais. Já foi trocado. Se por um lado ainda resistem os bancos e farmácias, por outro os laboratórios fazem dela um ponto de referência. Tem clube em uma ponta, a sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto (RECRA), e no seu outro extremo, um grande supermercado. Tem padaria, lojas, restaurantes, entre tantos outros comércios. Mas também tem muitos imóveis parados, aguardando para serem alugados ou vendidos. E está assim por estar abandonada! É um reflexo.

Dividida por uma obra parada, temos duas histórias distintas para uma mesma avenida. Para um lado, paralelepípedos malconservados, calçadas públicas do canteiro central (mosaico português) depreciadas e um tráfego de veículos quase extinto. Este é o lado dos bancos. Tal situação parece até proposital. Por sorte, a avenida é tombada e resiste ao recapeamento, desejo de muitos por aqui[5]. Lembrando que paralelepípedo é muito melhor que asfalto, pois diminui a velocidade, é mais ecológico, possui maior durabilidade, é mais resistente ao tempo e favorece o escoamento da água, além de fácil manutenção, apesar de ouvirmos o contrário da boca daqueles que querem arrancá-los. Para o outro lado, asfalto esburacado a cada chuva, cheio de deformações provocadas por anos de recapeamento de buracos e sem sinalização adequada para pedestres. E o calçamento central, uma lástima. Talvez, a única coisa comparável em ambos os lados.

Em 2012 divulguei matéria neste blog[6] apontando a falta de sinalização na Avenida Nove de Julho e as dificuldades que os pedestres tinham pela frente. Após 10 anos, retorno aqui para uma nova nota para mostrar que aqueles problemas não foram resolvidos e, agora, pior, o abandono é geral, daquela que já foi considerada um “cartão postal”. Vamos aos detalhes.

A Figura 01 é um bom exemplo de falta de sinalização, em especial para os pedestres. Não há faixas ou semáforos que possam ser utilizados pelos pedestres. As folhas amarelas no chão são lindas, e devem manter as árvores, mas estas flores viram um tapete escorregadio. Nessa esquina, temos dois laboratórios atendendo muitas pessoas, em especial idosos.

 

Figura 01 - Cruzamento da Nove de Julho com a rua Vicente de Carvalho

Fonte: Google Maps

 

Na Figura 02, a situação é idêntica à anterior. Aqui temos um cruzamento com laboratório, hotel e agência bancária, estabelecimentos que, pelos serviços que oferecem, atraem muitas pessoas. E certamente, em algum momento, elas serão pedestres. Além disso, algo constatado já há algum tempo, em nenhuma das duas figuras são mostradas lixeiras. São praticamente inexistentes ao longo da avenida[7].

Devemos lembrar que o traçado urbano muitas vezes é lembrando nos livros de história, porém aparece ligado a outros fenômenos, como enchentes, casarões, homenagens, entre outros, mas não temos uma descrição dos planos de circulação e mobilidade. São raros os mapas, mesmo sabendo que Ribeirão Preto sempre foi um município importante: moradia dos barões do café, Califórnia brasileira e hoje, a capital do agronegócio, só para citar alguns rótulos famosos por sua economia.

 

Figura 02 - Cruzamento da Nove de Julho com a rua Guimarães Passos

Fonte: Google Maps

 

Tudo bem que esta preocupação com o traçado urbano veio em tempos recentes, com ênfase dada pela última constituição. Contudo, ainda hoje não vemos uma descrição quando o assunto é o futuro das cidades. São vários debates realizados, organizados tanto pelo setor privado quanto pelo público e ficam sempre nos assuntos tradicionais, políticos: educação, turismo, economia, segurança etc. Não que não sejam importantes, mas a mobilidade urbana precisa integrar todos estes assuntos. Hoje Ribeirão Preto é um canteiro de obras, tudo isso para trazer a “modernidade” de faixas exclusivas ou prioritárias para ônibus? Acho que os prefeitos do começo do século XX tinham visões mais progressistas. Tínhamos que falar hoje em VLT (Veículo Leve sobre Trilho).

Mas não, vamos continuar priorizando o automóvel. Por isso, as Figura 03 e 04 são simbólicas, da obra do primeiro túnel de Ribeirão Preto. Cidade moderna por aqui é formada por túneis, viadutos, pistas largas e semáforos para os automóveis, enquanto mundo afora é formada por ciclovias e ciclofaixas, arborização urbana, integração do transporte coletivo elétrico e investimento pesado no uso dos veículos não motorizados.


Figura 03 – Obra de túnel paralisada, dividindo a Avenida Nove de Julho

Fonte: www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/cidades/NOT,0,0,1619496,Obra-de-tunel-em-Ribeirao-esta-parada-por-tempo-indeterminado.aspx

 

Figura 04 – Obra de túnel paralisada em Ribeirão Preto

Fonte: https://bit.ly/3FtEjjx

 

Nas figuras seguintes, verifica-se um pouco daquilo que já foi mencionado aqui. O descaso com o conserto dos paralelepípedos para a sociedade, no futuro, apoiar a troca deste tipo de pavimento por asfalto. As folhas amarelas das Sibipirunas que deixam o chão escorregadio e perigoso. A falta de sinalização para pedestres e de lixeiras deste lado da avenida. E um quarteirão de imóveis fechados muito provavelmente por conta deste abandono. O que sobrevive aí desempenha um papel de atração de consumidores de outros lugares, como bancos, restaurantes (alguns fastfoods) e laboratórios ou dependem dos estabelecimentos que empregam ou movimentam muitas pessoas, como é o caso da RECRA, da Diretoria Regional de Ensino, das escolas e dos hospitais.

 

Figura 05 – Pavimento desnivelado na Avenida Nove de Julho

https://www.marcospapa.com.br/wp-content/uploads/2018/08/9-de-julho-Revide.jpeg

 

Figura 06 - Pavimento desnivelado cria poças d’água que podem espirrar nos pedestres

https://emc.acidadeon.com/dbimagens/nove_de_1200x675_01122021171056.jpg

 

Figura 07 – Folhas das Sibipirunas que se acumulam no chão

https://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/0a/b4/41/78/dsc-0008-2-largejpg.jpg

 

Figura 08 – Avenida Nove de Julho sem sinalização para pedestres

https://mapio.net/images-p/21960220.jpg

 

Figura 09 – Estabelecimentos fechados para alugar

Fonte: Google Maps.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Situação do transporte coletivo de Ribeirão Preto

Para não quebrar a cadeia econômica da indústria automobilística no nosso país, particularmente em Ribeirão Preto, juntamente com uma política econômica neoliberal, o transporte coletivo urbano, que não é e nunca foi público, vem perdendo a cada ano milhares de passageiros.

Uma coisa é certa, quanto menos usuários, mais cara é a tarifa para sustentar o sistema funcionando. Ou, fazer o que ocorreu no nosso município – em uma nova licitação e plano de operação do sistema – otimizar o serviço. Isso não significa qualidade, mas sim menor gasto para com o sistema funcionar.

É óbvio que algumas coisas na operação melhoraram, porém, quase nada de infraestrutura foi criada ou recuperada com a entrada do Pró-Urbano, como os terminais prometidos na licitação, que devem ser entregues em 2014, os centrais, pelo menos, mas que não possuem obras iniciadas até o momento.

Contudo, enquanto aguardávamos como brasileiros que somos pela vontade dessa relação público-privado, em São Paulo, o aumento da tarifa do transporte coletivo gerou manifestações de insatisfação sem controle, que se esparramaram por todo o país. Pelo menos para o setor dos transportes, esse fato foi importante para todas as pessoas que usam meios de transportes, individual ou coletivo. Estabilizou o círculo vicioso da política de transporte de retirar mais pessoas do transporte coletivo e enviá-las para as vias usando, agora, veículos particulares. No balanço da Folha de São Paulo (6/7/2013, C5), concluiu que as “tarifas caíram para 70% da população das grandes cidades. 58 grandes municípios do país tiveram queda no preço do transporte público. 27% da população brasileira foi beneficiada com redução da tarifa”. E isso só foi possível graças a desoneração de impostos do Governo Federal. Ou seja, não significa melhorias, mais qualidade e conforto, significa, apenas, que o governo federal vai receber menos impostos, que não é uma alternativa viável do ponto de vista dos manifestantes. Esses querem que as empresas tenham menos lucro final, pois é muito fácil enriquecer-se por meio da exploração de usuários do transporte público. 

A questão é que quem adota essa política de contrato licitatório para oferecer o serviço de transporte “público” é o governo que, aliás, é o responsável também por fiscalizar e cobrar as metas estipuladas no processo de licitação. No nosso caso, a TRANSERP é o órgão público responsável pelas políticas de transporte e mobilidade do município de Ribeirão Preto. E, segundo o seu superintendente, a política adotada, com o serviço prestado, tem como objetivo atrair pessoas para o transporte coletivo. Ou seja, que a pessoa deixe o seu veículo particular em casa e passe a usar os meios coletivos do município. Esse é um pensamento correto, basta saber que o deslocamento se tornou um problema urbano em todas as grandes cidades.

Mas, como tudo é conversa, bonita ou não, sabemos que gestão pública não se faz isoladamente. Dessa forma, TRANSERP, Governos Municipal, Estadual e Federal devem ter o mesmo objetivo – investimento nos transportes coletivos. Para tanto, não havendo essa troca, verificou-se que o número de veículos particulares no país não para de crescer. “Para cada dez habitantes de Ribeirão Preto existem quatro carros e duas motos em circulação na cidade, média acima da registrada em todo o Estado e também no País” (A Cidade – 4/7/2013), enquanto “O transporte coletivo urbano de Ribeirão Preto deve perder quase três milhões de usuários durante este ano, média de 8 mil por dia” (A Cidade – 2/7/2013).

Conclusão: algo está errado e o mais absurdo é que o “Trevão do governo estadual” é uma obra contrária a política da TRANSERP – pelo menos, no entendimento da atração de usuário – um investimento no transporte privado ao invés de uma sistema de transporte coletivo eficiente, de qualidade entre os vários municípios vizinhos.

Fonte: Enfoque Ribeirão - Jul.2013 - Texto: André Barioni


Jornal A Cidade - 31/7/2013
Fonte: >

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Veto a ISS faz Ribeirão perder incentivos federais

Reportagem: http://www.jornalacidade.com.br/politica/NOT,2,2,860168,Veto%20a%20ISS%20faz%20Ribeirao%20perder%20incentivos%20federais.aspx

Ribeirão Preto pode ficar de fora do Reitup (Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros), por não ter aprovado a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) para as empresas do setor do transporte coletivo. A inclusão do município nesse regime poderia fazer com que a tarifa caísse para R$ 2,35.

A redução ou, até mesmo, a isenção) são requisitos para qualquer município conseguir tarifas de ônibus mais baixas, através da ampliação de benefícios fiscais às empresas. 

Nesta quinta-feira (4), a Câmara de Ribeirão Preto acatou parecer da Comissão de Legislação e Justiça que considerou ilegal a redução do imposto, por tratar-se de renúncia de receita.

Assim, mesmo que o Reitup (projeto de lei 310/2009) seja aprovado na Câmara Federal e sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT), Ribeirão Preto fica fora dele.

Para o superintendente da Transerp (Empresa de Transporte e Trânsito de Ribeirão Preto), Willian Latuf, Ribeirão Preto vai na contramão do restante do Brasil. “São Paulo já dá isenção de ISS ao transporte. O governo federal acabou de fazer o mesmo com o PIS [Programa de Integração Social] e Cofins [Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social]”, falou Latuf.

Além do ISS, as empresas também pagam ao município uma taxa de gerenciamento e fiscalização. No entanto, na semana passada, Latuf afirmou que a Transerp não tem como abrir mão dela. “Somos uma empresa de economia mista e não recebemos dinheiro da prefeitura. Por isso, a taxa de gerenciamento é vital”, explicou.

A reportagem enviou e-mail a Coordenadoria de Comunicação Social (CCS) da prefeitura questionando o que seria feito em relação à isenção de ISS, mas não obteve resposta. O jornal também procurou o vereador Walter Gomes (PR), presidente da Comissão de Justiça, mas ele não atendeu o celular.

Tarifa poderia ser de R$ 2,35

Caso o Reitup seja aprovado na Câmara dos Deputados e sancionado pela presidente Dilma Rousseff, a inclusão de Ribeirão Preto no programa poderia fazer com que a tarifa por passageiro no transporte coletivo local caísse para R$ 2,35. O valor é bastante inferior ao que pede o Movimento Passe Livre (MPL), de R$ 2,60.

A queda de R$ 0,45 poderia ocorrer pela aplicação sucessiva dos benefícios. Hoje, os R$ 2,80 pagos em Ribeirão já são consequência da isenção do PIS/Cofins do governo federal, que fez os R$ 2,90 de então caírem R$ 0,10.

Segundo a assessoria do Senado, a adesão ao Reitup pode significar decréscimo 15% na tarifa de R$ 2,80, ou seja, cerca de R$ 0,40. Com isso, a passagem passaria a custar cerca de R$ 2,40.

A esse valor, poderia incidir ainda a isenção do ISS (Imposto sobre Serviços) que, segundo a Transerp, poderia baixar a tarifa em mais R$ 0,05, fazendo com que pudesse ficar em R$ 2,35.

Advogado contesta lei

Segundo o advogado Marco Aurélio Damião, especialista em administração pública, a prefeita Dárcy Vera pode reapresentar o projeto de isenção do ISS quando quiser.

Isso porque, para ele, existe conflito entre o parágrafo 2º, do artigo 45, da Lei Orgânica do Município (LOM) e o artigo 67 da Constituição Federal. As normas municipais apontam que a prefeita Dárcy Vera poderia reapresentar o projeto de isenção do ISS quando quiser.

O especialista alerta, porém, que pelas regras federais, a matéria só poderia ser colocada em votação no Legislativo com a permissão da maioria absoluta dos parlamentares da Casa de Leis (12 vereadores).

“Em minha opinião, a Lei Orgânica do Município é inconstitucional, por desatender à regra do processo legislativo contida na Constituição Federal. Essa lei obriga à anuência expressa da maioria absoluta dos membros da Casa Legislativa”, explicou Marco Aurélio Damião.





Movimento Passe Livre Ribeirão Preto - Nota sobre reportagem do Jornal A Cidade

O ISS E A PERDA DE RECURSOS DO GOVERNO FEDERAL:

Recentemente, uma matéria divulgada pelo jornal "A Cidade" sustenta a hipótese de que Ribeirão Preto fora excluída do processo de participação do REITUP (Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros) "por não ter aprovado a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) para as empresas do setor do transporte coletivo", indicando, ainda, que "a inclusão do município nesse regime poderia fazer com que a tarifa caísse para R$ 2,35". Tal texto provocou uma série de conclusões equivocadas e inverdades que cabem nesta nota esclarecimentos.

Tal regime (REITUP) ainda não foi instituído, de modo que é enganosa a ideia de que "Ribeirão Preto perdeu incentivos federais". Conforme prevê o projeto de lei (PLC n. 310/2009) que cria o REITUP, quando ele for instituído será firmado convênio entre a União e os Municípios interessados em participar, prevendo as contrapartidas mínimas dos municípios (artigo 2, I, a). Antes do convênio, é impossível prever quais serão as regras para participar do regime. O que é possível saber desde já é que o projeto fala em "redução, isenção ou não incidência de tributos municipais" (artigo 2, I, a, 1), e o ISS é apenas um desses tributos. Não há nada no projeto que indique a obrigatoriedade da isenção do ISS pelos Municípios, tornando enganosa a notícia veiculada pelo jornal "A Cidade". É importante deixar claro que nós do Movimento Passe Livre de Ribeirão Preto, estamos analisando a realidade das políticas públicas desenvolvidas pela administração desta cidade de um outro viés ideológico: "O QUESTIONAMENTO DA ALTA LUCRATIVIDADE DAS EMPRESAS CONCESSIONÁRIAS DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE PÚBLICO".

A proposta do movimento é amparar a diminuição da tarifa na diminuição dos lucros dessas empresas, e foi por isso que reivindicamos transparência e acesso às contas da concessionária. Há aí um interessante grau de radicalidade política (no sentido etimológico, de ir às raízes). A isenção tributária pode ser uma medida acessória, mas enquanto não passarmos a questionar os altos lucros das grandes empresas, e o próprio modelo de gestão e financiamento do transporte público, não alteraremos a dinâmica socioeconômica da nossa realidade política. Até quando vamos tolerar que as concessionárias de serviços públicos lucrem milhões? Até quando vamos tolerar serviços de baixa qualidade no transporte municipal e na coleta de lixo?

A redução da tarifa baseada na desoneração de impostos, importante fonte de receita do Poder Público, é uma medida superficial que não altera em nada a gestão e o financiamento do transporte público. Apesar da redução significativa que a tarifa poderia sofrer a curto prazo, a médio/longo prazo seu valor voltaria a subir, gerando os mesmos problemas atuais. A desoneração é uma política que, apesar de apresentar-se como milagrosa, é a antessala para uma catástrofe, uma vez que além de diminuir a receita do Estado, não garante melhorias no transporte público e nem uma maior democratização do acesso à cidade.

Planilha do valor da tarifa do transporte público em RP

O abacaxi da planilha - por Murilo Pinheiro (REVIDE)

Postado em 11 de Julho de 2013 às 16:07 na categoria Venenos e Antídotos
Quanto seria o valor da tarifa para oferecer um serviço de qualidade à população, permitindo que as permissionárias tenham uma rentabilidade que não seja abusiva, mas que ao mesmo tempo contemple a realização de novos investimentos?
R$ 2,00, R$ 2,60 e R$ 2,75 ou R$ 2,90? Os estudantes não pagam passagem em Ribeirão Preto. A lucravitidade das empresas de ônibus, das empresas de pedágio e de tantas outras prestadoras de serviço da administração pública, historicamente, sempre foi uma caixa-preta. Os vereadores de Ribeirão Preto não aprovaram a redução da tarifa com a isenção do Imposto Sobre Serviço (ISS). Pressionada, a Prefeitura de Ribeirão Preto entregou aos vereadores, na Câmara Municipal, a planilha de custos do transporte coletivo urbano, bem como o contrato da concessão com o Consórcio PróUrbano. O promotor da Cidadania, Sebastião Sérgio Silveira, solicitou que os custos fossem analisados pelo professor André Costa da FEA/USP.

domingo, 14 de julho de 2013

Entenda o Projeto de Lei Tarifa Zero





Publicado em 12/07/2013
www.tarifazerosp.net/participe

Produção coletiva de vídeo realizada pelo Projeto Cala-boca já morreu e pelo Coletivo EntreLinhas, como colaboração para a Campanha Tarifa Zero.

São Paulo, julho de 2013

Trilha sonora: Samambaia (Pipo Pegoraro/Kika)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Situação do transporte coletivo

A TRANSERP é o órgão público responsável pelas políticas de transporte e mobilidade do município de Ribeirão Preto. O Consórcio Pró-Urbana é o vencedor da licitação que permite ao grupo de empresas (quatro) explorarem o transporte público do município. As empresas cobram tarifa dos usuários que, por meio desse pagamento, desejam receber um serviço de qualidade, eficiente e seguro de transporte público.

O sistema de transporte é elaborado pela TRANSERP. Já a operação privatizada (exploração no período de 2013 até 2032), é feita pelo grupo de empresas denominado Pró-Urbano.

Inicialmente, “a integração será feita por todos, que pagarão a mesma tarifa (única, de R$ 2,70)”. Essa era a proposta. Porém, o valor inicial adotado em 2013 foi de R$ 2,90. A Prefeitura, como estratégia política, “forneceu” a gratuidade aos estudantes de escolas públicas. A palavra forneceu aparece entre aspas porque a Prefeitura aceitou que parte do investimento inicial que o consórcio deveria aplicar no município fosse simplesmente trocado para garantir essa gratuidade. Ou seja, em um momento oportuno, eleitoral, garantiu para um único ano a gratuidade prejudicando a todos que utilizam do transporte público no momento em que prioriza e classifica um grupo de pessoas: os estudantes. Talvez, e mais correto, seria o caso de cumprir com o valor citado inicialmente de R$ 2,70, pois, o que garante que esses R$ 0,20 não estariam cobrindo essa gratuidade, ou mesmo o futuro dessa gratuidade? É uma questão a se pensar!

Contudo, vieram os protestos. Nesse ano, de 2013, o aumento da tarifa do transporte público na cidade de São Paulo levou milhares de pessoas às ruas. Essa foi uma convocação do MPL (Movimento Passe Livre) que conseguiu reunir toda a população que estava insatisfeita não somente com o serviço oferecido de transporte, mas, de modo geral, com a forma de governar o país. Estamos vivenciando um momento de reflexão sobre a gestão pública, dos impostos e gastos do nosso dinheiro, dos investimentos em setores que não serão aproveitados futuramente, uma reflexão sobre reformas, profundas reformas que o país necessita passar!

Diante disso, os manifestantes, com o apoio e organização do MPL de Ribeirão Preto, vêm constantemente lutando pelos seus direitos para ter um transporte público de qualidade a um preço justo. Nesse momento, o preço da tarifa diminuiu R$ 0,10 pelo fato do Governo Federal se abdicar de certos impostos como uma tentativa de diminuir os protestos pelo Brasil, principalmente em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Mas, para os manifestantes, as empresas, pelo momento econômico que o país passa, precisam ser afetadas também. Nesse momento, a Câmara Municipal é o alvo, considerando que é o órgão que pode abrir uma CPI para investigar, junto ao Ministério Público, o orçamento e o faturamento dessas empresas no nosso município.



Manifestantes acampados em frente da Prefeitura!



Panfleto distribuído para a população.




Gráfico sobre a evolução da tarifa.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Divulgando informação

Apesar do usuário ainda não saber, estando o sistema de transporte público reorganizando as suas linhas e letras no município de Ribeirão Preto, segue link para entendê-lo melhor (http://www.ritmoribeirao.com.br/faces/view.jsf?_adf.ctrl-state=12l1cxqgfx_698).
De acordo com a página, são 12 as novas linhas que começaram a operar no dia 10/02/2013.

Veja o diagrama da nova rede no link - http://www.ritmoribeirao.com.br/showdocument?id=85&show=true

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Reportagem de 2013 - sobre o NOVO transporte público

Segue abaixo o link para assistir a reportagem da EPTV.

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/acaba-prazo-de-prefeitura-para-melhorias-nos-onibus/2355378/

Refletir sobre o perigo de fazer concessão - 20 anos de espera para manter e melhorar a estrutura de transporte no nosso município pensado para uma cidade pequena! Logo teremos a Região Metropolitana - seria mais uma rede e mais ônibus.

Em 20 anos teríamos um VLT funcionando na nossa cidades tranquilamente. Vamos manter os ônibus apenas!?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

2013 – O início de um NOVO transporte público em Ribeirão Preto – sem novidade


Já se foi a época de promessas. A Prefeita Dárcy Vera (PSD) novamente ganhou as eleições em Ribeirão Preto. Serão mais 4 anos (2013-2016). Para o transporte público, resta saber como serão as etapas de melhorias do consórcio Pró-Urbano, ganhador da licitação realizada em 2012. O grupo formado pelas mesmas empresas que já exploravam o setor (TURB, Rápido D’Oeste e TRANSCORP), mais a empresa de Sertãozinho, a Sertran, vão explorar o setor pelos próximos 20 anos. Vamos apostar em uma eficiência operacional sem mudanças práticas, cabíveis, no tráfego, e de mudança cultural por meio da esperança pessoal!?

Veja a reportagem publicada no jornal Gazeta Ribeirão (1/6/2012) e blog da Prefeita.
Passe-livre garantido pelo menos para 1 ano para os estudantes de escola pública! Por que não para todos os estudantes? O Tráfego de veículos aumenta em época escolar por conta das escolas particulares. A maiorias dos alunos das escolas públicas já se utilizam do transporte público! Ou seja, de acordo com meu último texto, pensar em “grupos” como os dos “estudantes” vai contra qualquer projeto de mobilidade sustentável (equitativo). 

O Plano de Mobilidade Urbana continua sem debate e o Ministério Público, que não consegue avançar nem mesmo sobre a situação das multas em Ribeirão Preto, portanto, não vai se encarregar de cobrar de alguma forma a elaboração do Plano. Caberá ao Ministério das Cidades não permitir empréstimos para o nosso município. Ou seja, deixando de investir no município vai resolver o problema de mobilidade! 

A integração será feita por todos, que pagarão a mesma tarifa (única, de R$ 2,70). No intervalo de duas horas poderá fazer três transbordo. A questão é, se continuar com essas divisões de território em grupos de cores, o usuário vai continuar a pagar duas tarifas para ir ao centro e voltar em menos de duas horas, já que utilizará a mesma linha de ônibus, grupo e cor! Ou seja, novamente não é uma ação que visa uma mobilidade sustentável! Pela eficiência operacional do automóvel e pelo seu baixo custo se comparável com a eficiência do transporte público e o seu preço, esse continuará vantajoso. Portanto, essa ação não fará os motoristas de modo geral utilizarem ônibus! 

Todos os ônibus adaptados para cadeirantes, não é uma ação municipal, mas federal, e o município precisa se adequar até 2014. Portanto, sem comentários! 

Ao longo de 20 anos serão 130 milhões investidos. Investidos não, aplicados para manter um transporte público funcionando. Serão mais 20 anos (até 2032) de espera por um outro tipo de transporte de massa, talvez? 

Se as empresas de transporte público fossem “inteligentes” (os donos) investiriam pesado em MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL! Se o Executivo fosse “inteligente” procuraria meios de repassar dinheiro para as empresas diminuírem suas tarifas, ou mesmo zerá-la. Hoje, só ganha! 

A política se fortalece e atualmente é o passe-livre para os estudantes, mas, para o futuro, será cobrado a tarifa zero, ação já discutida pelo simples fato do transporte ser PÚBLICO. Por que não pensar nisso agora?


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Promessas indevidas em momento oportuno = promessas

Ribeirão Preto continua oferecendo promessas para a Mobilidade Urbana. A licitação do transporte público saiu, foi definida e começa, provavelmente, a partir de 2013. Será que temos que esperar pelo fim de um contrato licitatório inexistente ou no projeto de licitação estava dada a data de início, a partir do dia tal as operadoras começam a funcionar na nova licitação? Especulações. Especulações.

O Plano de Mobilidade Urbana continua sem debate, e não me refiro aqui, apenas, por audiências. Isso nem vai existir. E se existiu, foi mascarado pela audiência para a nova licitação do transporte público. Mas, tudo bem. Fica para o próximo...

Só não podemos deixar de notar, já que é época de eleição municipal, as promessas indevidas em momento oportuno. Vai ter de tudo um pouco, porém vamos ver nas promessas o que se tem para a mobilidade urbana de Ribeirão Preto, se é que os nossos candidatos entendem o que é mobilidade.

Ações para o círculo vicioso: “Cem mil estudantes vão deixar de pagar ônibus a partir de 2012” – uma ação (promessa) sem respaldo de outras ações. Como os pais desses cidadãos não gastarão mais com o transporte público, então vão juntar grana para comprar veículos ou outra coisa. Ou seja, não vale de nada dar cotas, bolsas e passe-livre, se não tiver ações que garantam prestigio para essas doações. Veja, a função do executivo é trabalhar com a questão: como melhorar o transporte público? Como atrair aquelas pessoas já motorizadas para o transporte público? E como melhorar o transporte público? E como melhorar o transporte público? E como melhorar o transporte público? Mais uma empresa, mais linhas, terminal bonito... uhnn... NÃO!

O estudante já utiliza o transporte público, portanto, não conseguiu dar uma resposta a questão acima. De repente, o transporte público poderia ser gratuito (ou mais barato) para todos e isso sim seria vantagem em relação ao uso dos demais veículos motorizados. Mas, não. Isso não é possível. E os estudantes não vão lutar para isso, pois não se quer uma mudança de paradigma para a mobilidade, mas apenas vantagens para um determinado grupo de pessoas (julgadas a partir do cerne: se não trabalho, não posso pagar pelo transporte público).

Enquanto lutarmos por grupos, não vamos conseguir mudanças eficazes, e não digo isso só para a mobilidade, mas para tudo o resto. Infelizmente o paradigma deve ser quebrado na escola, local, este, falido para essa função.

Então fiquemos com os grupos (infelizmente) – promessa é divida estudantes. Vocês estão utilizando o transporte público de graça em 2012? Olha que em 2013 vocês vão ter, eu prometo. Mesmo que seja verdade estudante, pense, é uma ação que te beneficia agora, mas que não resolve o problema. É só ler novamente os três últimos parágrafos do texto.


http://www.jornalacidade.com.br/editorias/politica/2011/12/15/cem-mil-estudantes-vao-deixar-de-pagar-onibus-a-partir-de-2012.html

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pedestres em Ribeirão Preto


Cuidado redobrado é o que os pedestres devem ter ao caminhar pela Avenida mais famosa de Ribeirão Preto/SP: a Avenida Nove de Julho. Pelo menos é assim que interpretou um morador que ali precisa passar todos os dias. Segundo ele, falta sinalização adequada na avenida, principalmente para os pedestres, que além de não ter faixas que sinalizam o seu trânsito e dos demais pedestres, os semáforos, quando tem, são tão rápidos para mudar de cor que é preciso correr para atravessá-la em segurança, do quadrilátero central para o bairro Higienópolis e vice-versa. Um idoso, por exemplo, precisaria esperar por duas vezes para fazer a travessia completa da avenida (cruzando pelos dois sentidos da via).


Veja imagens da Avenida Nove de Julho retiradas do Google Earth - o caminho mais rápido que encontrei para mostrar tal absurdo para com os pedestres.

Figura 01 – Cruzamento das ruas Guimarães Passos, Conde Afonso Celso e Mal. Rondon, com a Avenida Nove de Julho 
Imagem retirada do Google Earth – adaptado por @MobilidadeRP

Figura 02 – Cruzamento das ruas João Penteado, Álvares Cabral e Tibiriçá, com a Avenida Nove de Julho 
Imagem retirada do Google Earth – adaptado por @MobilidadeRP

Pesquisando fotos da Avenida Nove de Julho na internet, encontrei uma reclamação sobre a via. Parece-me que não faltam apenas faixas de pedestres nessa avenida, mas também lixeiras. Veja o desabafo: http://www.revide.com.br/blog/murilo-pinheiro/post/deficit-de-lixeiras/ - repare que a reportagem foi postada no dia 03 de junho de 2011. Será que hoje, em 2012, seis meses depois, já tem lixeiras na Nove de Julho? Fica a dúvida (que logo vou suprir).

Figura 03 – Avenida Nove de Julho – sem lixeira e faixas de pedestres 
Imagem retirada da reportagem – veja o link

A sinalização horizontal é precária em Ribeirão Preto. Muitas vezes é até feita uma tentativa para melhorar as condições pré-dispostas da via, como, por exemplo, se fez no bairro Manoel Penna. Melhorou um pouquinho, mas ficou na tentativa, mesmo sendo vias que ligam bairros próximos ao Novo Shopping, sabendo, então, que várias pessoas utilizam esse trajeto para trabalhar.
Veja imagem do Google Earth – imagem retirada após a melhoria da via e pintura nova, claro, objetivando o deslocamento dos automóveis.

Figura 04 – Rua José Luiz Nunes Filho – bairro Manoel Penna – sem faixas de pedestres e calçamento inadequado para o seu deslocamento 
Imagem retirada do Google Earth – adaptado por @MobilidadeRP 

Figura 05 – Marginal da Rod. Antônio Machado Sant’anna, próximo ao Novo Shopping – sem faixas de pedestres após pintura recente da via 
Imagem retirada do Google Earth – adaptado por @MobilidadeRP

Muitos motoristas não respeitam as faixas de pedestres, mas estando elas ali pintadas, ajuda o pedestre a cobrar pelo seu direito e espaço na via pública. Não estando, mostra que até mesmo o órgão responsável não reconhece o pedestre, então imagina o motorista?

Política Nacional de Mobilidade Urbana


Após 17 anos de tramitação no Congresso Nacional, foi sancionada pela Presidência da República a Lei nº 12.587, no dia 3 de janeiro de 2012. Publicada no Diário Oficial da União, agora basta esperar os 100 dias para a lei que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana entrar em vigor.
Lembrando que Ribeirão Preto/SP ainda precisa elaborar o seu Plano de Mobilidade Urbana, atrasado 11 anos de acordo com o Estatuto da Cidade. Essa nova lei não altera esse atraso, apenas obriga novos e mais municípios a fazerem o plano, aqueles que possuírem mais de 20 mil habitantes. O prazo é de três anos.

Para saber mais, leia o comunicado do IPEA nº 128:

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

NA CONTRAMÃO

Jornal A Cidade - 4 de novembro de 2011 - capa: "Abatidos pelos automóveis: em 24 horas, sete pessoas, entre pedestres e ciclista, foram atropeladas em Ribeirão Preto. A maioria teve ferimentos leves. Uma vítima, atropelada no início da semana, morreu".

Na matéria, segue o de sempre: os ciclistas devem evitar acidentes fazendo isso, aquilo e utilizando tais equipamentos, isso dito por um Técnico da equipe de ciclismo de Ribeirão Preto, responsável pelo projeto da ciclofaixa. Dessas sete pessoas, seis estavam de bicicleta. Ora, não era o momento para dizer sobre a falta de estrutura para a gestão de mobilidade no município e a falta de infraestrutura para os ciclistas, que continuam disputando os mesmos espaços com os veículos motorizados?

Não é fatalidade o caso de Maria Lopes Ribeiro, que morreu quatro dias depois de ser atropelada. A fatalidade nesse caso é traduzida pelos esforços da gestão pública que vem incansavelmente melhorando nossas vias em benefício para uma mobilidade de qualidade para os pedestres e os ciclistas, que não podem disputar os mesmos espaços com os veículos motorizados - autorizados a saírem de suas casas, por enquanto, apenas aos domingos de manhã. Isso é fatalidade: gestão pública. De a honra de pelo menos a Sra. Maria descansar em paz, sabendo que sua vida foi o custo da ineficiência de outrem.

Contudo, na contramão dos investimentos em benefício à mobilidade dos pedestres e ciclistas de Ribeirão Preto, vire a página do jornal e leia "Novo cruzamento será aberto hoje" (vargas X fiúsa - obra foi bancada pela Multiplan e deve melhorar fluxo do trânsito na zona Sul). Multiplan que é responsável pelo Ribeirão Shopping, que exclui os usuários de ônibus (maioria funcionários das lojas) desse mesmo espaço ao não construir um miniterminal eficiente dentro do comércio, no estacionamento, como todos os demais shoppings fazem. Óbvio que é um espaço privado e podem optar pelo que querem, mas a partir do momento em que se quer arrumar vias públicas em benefício próprio, então se faz questionar até que ponto as paradas de ônibus também não precisam de recuperação, embelezamento e eficiência. Mas aí, qual usuário de ônibus vai pagar estacionamento?

Na contramão...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pesquisa trava edital para novo transporte (Jornal A Cidade)

Saiu no jornal A Cidade matéria sobre o transporte público e a "futura" licitação - 27 de outubro de 2011 - que diz que o prazo deve ser maior para a elaboração do Edital. Ora, em município que quer aprovar licitação para o sistema de transporte público antes do Plano Diretor de Mobilidade (PlanMob), talvez o problema não seja apenas técnico para finalizar o projeto... O PlanMob_RP deveria nortear esse projeto...


Veja também como está o resultado de enquete que rolou no Facebook sobre a qualidade do transporte público em Ribeirão Preto - http://www.facebook.com/questions/2119018087580/?qa_ref=pt - participe.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Transporte é, antes de tudo, uma atividade política (parte II)

Como tenho alguns anos de vida, como também tem a TRANSERP em Ribeirão Preto, não posso considerar na minha análise e, portanto, na nossa existência, um período de quatro anos, pois pesquisas são feitas em um linear histórico, independentemente do governo que aí está ou passou, que, aliás, posso citar como exemplo para dizer se mudou algo ou não nessa história. Muita coisa mudou, mas esse texto não tem como objetivo mostra essas mudanças, pois elas são estruturais apenas, mas sim, mostrar que o pensamento e a prática sempre foram às mesmas, no sentido de beneficiar o uso do transporte particular em Ribeirão Preto.

Quais são as minhas premissas para tal conclusão?

- A elaboração e aprovação do Plano de Mobilidade Urbana em Ribeirão Preto está atrasada em mais de 10 anos (Estatuto da Cidade – Lei nº 10.257/2001), que considera primordial para isso a quantidade populacional do município; Ou seja, nossos meios legais para cobrar continuam sendo apenas as leis Orgânica do município e o Plano Diretor.
- Lei Orgânica do Município – Art. 163 (III) – prioridade do transporte coletivo sobre o transporte individual, garantida, entre outras medidas, por faixas exclusivas ou preferenciais de tráfego nas vias públicas. Onde estão as faixas?
- Lei Orgânica do Município – Art. 163 (VI) – fixação de tarifas que leve em conta a qualidade, eficiência e eficácia do serviço prestado, o poder aquisitivo da população, a justa remuneração e a expansão dos serviços; Onde está à pesquisa que mostra o poder aquisitivo da população em geral e do usuário de ônibus em particular? Se vivemos no país que tem uma das piores desigualdades do mundo, então temos que considerar o poder aquisitivo das pessoas segregadamente. Quem são os usuários de ônibus no Brasil e em Ribeirão Preto? – Sou contra isso, acredito que no planejamento urbano do município, esse deveria ter como objetivo o transporte público acima de qualquer outro meio de transporte e, com isso, obrigar o seu uso, com restrições ao uso dos veículos particulares, como em vários países da Europa. O transporte público tem que oferecer qualidade e permitir o uso por todos. Não é o que acontece hoje, principalmente por excluir várias pessoas devido o preço da tarifa do transporte público (R$ 2,60 e R$ 2,80 – esse é o aumento mais alto desde 2004, quando também, no início de 2005, o reajuste foi de R$0,20 - porque não teve reajuste em 2004, promessa de eleição, e teve que suprir esse ano em 2005, com reajuste maior).
- A TRANSURB reconhece que vem perdendo usuários a mais de 10 anos (A Cidade, 1 de junho de 2011, p.A5);

- O Governo Federal, apesar de investir em projeto de Mobilidade Urbana, também promove facilidade para a compra de veículos particulares – como a redução de impostos no período da crise econômica de 2009-10;

- O responsável pela TRANSERP hoje sabe que o transporte público vem perdendo usuários ao longo desses anos: “O presidente da TRANSERP, William Latuf, disse que a principal causa da defasagem no valor da tarifa é a QUEDA no número de passageiros: 9% nos últimos 12 meses.” (A Cidade, 23 de outubro de 2004). A integração tarifária “temporal” não foi suficiente para atrair novos usuários para o transporte público. Existem outras ações, desde 2004, para conseguir atrair novos usuários, que não seja a resposta a espera por uma nova licitação? A TRANSERP poderia responder já que tem 30 anos nesse processo. Dizer que no mundo todo o transporte público vem perdendo usuários também não é uma resposta adequada, pois mesmo que isso seja uma verdade, existem exemplos de cidades brasileiras que melhoraram muito seus sistemas para continuar atrativo (Curitiba, São Paulo e Uberlândia).

- O Plano Diretor (revisado, de 2003) já dizia o que não estava sendo feito, mesmo sendo lei em Ribeirão Preto (Lei Orgânica) – Art.24 (XIV) – rever o atual modelo de prioridade na circulação que faz com que os custos sociais gerados pelo transporte individual como poluição, CONGESTIONAMENTO e acidentes, sejam injustamente distribuídos, prejudicando a maioria da população. Principalmente os usuários dos ônibus, que são os únicos pagadores pelo sistema de transporte público (perde-se duas vezes, injustamente – proporcionada pela política de transporte equivocada – perde-se por ficar preso no trânsito que não foi o ônibus que criou e paga-se por tarifa mais cara devido o custo maior das empresas para suprir as necessidades causadas por esse trânsito – com mais ônibus, mais combustível, mais...).


Concluindo, o aumento da tarifa hoje não mudará o sistema. Não vai melhorar a qualidade do transporte público, como também não vai melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. É preciso mudar o sistema, mas também é preciso mudar a concepção que temos sobre sistemas de transporte. E isso não será feito enquanto nossos governantes não respeitarem nossas leis, cumprindo-as. A licitação pode melhorar o sistema sim, mas teremos que fiscalizar para saber se realmente vai ser respeitado as leis, principalmente aquelas ligadas a Mobilidade Urbana. Mas eu posso estar enganado, e não saber nada sobre transporte público devido o não conhecimento de um conselho que nem mesmo para a prefeitura e para a TRANSERP ele existe, já que não está no site, entre os conselhos citados e nem na página desse órgão responsável pelo trânsito e Transporte em Ribeirão Preto. A escolha é de vocês.

No próximo texto vou comparar qualidade e preço de tarifa (só com cidade brasileiras) para não dizer que sou injusto. Depois vou citar como funciona o COMTUR (ou COMUTRAM??? Ou... muda conforme a necessidade?) e quais são os membros atuais. Aguardo ainda o CONTRATO (Não vou mandar ofício ou correr atrás, ele tem que estar disponível em algum lugar, pronto para qualquer pessoa consultar – isso é transparência!).

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Transporte é, antes de tudo, uma atividade política.

Não sou político, mas, convenhamos, será preciso trabalhar dessa forma, a mesma do governo atual do município, por meio de assessor, que optou por tentar convencer que o AUMENTO do transporte público não foi um aumento significativo, mas um reajuste firmado em contrato*. Disse no facebook, “um reajuste não é um aumento”.

Ora, em rápida procura pelo Google não encontrei nada em relação a um reajuste para abaixar a tarifa em relação ao preço atual (por exemplo, de R$ 2,40, a tarifa será reajustada para R$2,20), a não ser que se construa um novo sistema ou parte nova em relação à atual e aí sim se estabeleça um preço novo também, o que não significa um reajuste, mas preço adequado para esse novo sistema de transporte (Corredor de Goiana - R$ 1,00). Ou seja, reajuste é um aumento, principalmente por considerar a inflação (meio usado para se referir ao aumento geral dos preços).



* Lei Orgânica do Município de Ribeirão Preto/SP – Art. 162 – Fica assegurada, na forma da lei, a participação organizada da população no planejamento, controle e fiscalização do transporte de passageiros de âmbito municipal, bem como seu acesso às informações sobre o mesmo. Gostaria de receber uma cópia desse contrato que o Ministério Público diz ser ilegal, ficando acordado entre Ministério Público, Administração Pública e permissionárias, plano de melhoria para os cidadãos, realizado pelas permissionárias, em forma de punição (porque é obrigatória as melhorias), até a nova licitação (que se deseja que faça o mais rápido possível, mesmo porque demanda tempo devido a realização de estudos). Mérito do Ministério Público!

Portanto, as melhoras que vem sendo feitas, mesmo que mínimas, são de mérito do Ministério Público, que aceitou o acordo para a não realização da licitação de um dia para o outro. Isso é necessário porque não se pode deixar de oferecer esse serviço essencial para o cidadão, como também é preciso criar um projeto de licitação, o que depende de estudos e, portanto, de tempo (audiência prevista para julho, segundo Sr. Willian Latuf - A Cidade, 30 de Junho de 2011, p.A4).

Veja reportagem do A Cidade (10 de junho de 2009, p.A3) – “Sindicato faz proposta para abafar pedido de licitação: empresas propõem melhorias no sistema para garantir continuidade do contrato, mas Ministério Público quer novo certame”. […] “O Ministério Público Estadual deve priorizar a realização de uma nova licitação para o setor de transporte público”. Mérito do Ministério Público!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Manifestação para o não aumento da passagem do transporte público

Apesar de não ter sido realizada ainda a manifestação contra o aumento da passagem de ônibus em Ribeirão Preto (marcada para o dia 1/8/11), foi sugerida para fazer pelo twitter uma manifestação inicial de apoio a esse evento. No dia 22/7/2011, no horário próximo ao do almoço, várias pessoas publicaram a frase “Sra. @darcy_vera eu NÃO quero que aumente a passagem de ônibus em RP. #TRANSRUB”. Quem tiver interesse em saber mais sobre como foi à manifestação basta entrar no twitter e digitar no campo “busca”: #TRANSURB.

Segundo o pessoal que sugeriu, disse que não se tratava de ataque a alguém, mas de um pedido justo dos cidadãos dessa maravilhosa cidade, que precisam utilizar o transporte público para realizar todos os dias as suas atividades, que, aliás, é quem ampara economicamente essa mesma cidade. Assim, é justo lutar por algo que possivelmente pode acontecer em um futuro próximo, já que se aguarda uma resposta do executivo. Essa seria a resposta para alguns twitteiros que não concordaram com a manifestação, que não devem utilizar esse sistema.

Sabendo que os meios de comunicação da nossa cidade são desleixos para com alguns fatos, ficou provado a necessidade cada vez maior de comunicação pelas redes sociais, que em breve (como já vem acontecendo) divulgará o que ocorre no ciberespaço. Contudo, os jornais publicados ainda são os meios de comunicação da maioria e, por isso, várias pessoas não ficaram sabendo dessa manifestação pelo twitter, principalmente os usuários do transporte público. Apenas o jornal Gazeta Ribeirão publicou uma nota no dia 21/7/2011 sobre tal manifestação, o que já pode ser uma ação comemorável por parte das pessoas que organizaram essas manifestações.

Infelizmente ainda abrimos os jornais pela manhã e lemos a notícia sobre a visita do governador e o seu apreço por um cafezinho, notícia que não acrescenta em nada para as nossas vidas e a nossa cidade. Publicar que a passagem vai aumentar na próxima semana, por exemplo, é um desserviço que os jornais e os meios de comunicação fazem para com os cidadãos que aqui vivem, pois ao negar tal manifestação se coloca na posição de aceitar essa injustiça, que é compartilhada por muito nessa maravilhosa cidade.

O @mobilidaderp apóia essas manifestações porque vê que essa cidade não vem sendo preparada respeitosamente para cumprir uma mobilidade urbana sustentável. Ações negativas para a cidade, em prol ao veículo particular (que envolve vários governos, pois aqui na se discute isso – quem fez algo bom, deveria ter feito – e quem fez algo ruim é porque administra para poucos – lembrando que qualquer governo trabalha para o cidadão – não está fazendo um favor) são feitas ao longo dos anos:

- Arquivamento pela câmara da exigência de uma nova licitação, estando hoje (há 15 anos) o serviço de transporte público ilegal na cidade (a exploração do serviço);

- Fim da operação dos terminais que permitiam a integração físico-tarifária para promover um novo sistema de integração temporal que até hoje é feito de modo injusto, uma vez que nesse sistema, de modo correto, não existe restrição em linhas e espaço; Daria uma nova dinâmica ao sistema de transporte público, principalmente para aqueles que querem fazer atividades rápidas, pois seria vantajoso em relação ao veículo particular.

- Retirada dos cobradores sem prever melhorias para o transporte público (BRT – possui cobradores nas paradas (pontos, ou mini-terminais) para agilizar o embarque e desembarque de passageiros); Mas, para isso, seria necessária a criação de corredores de ônibus;

- Sinalização vertical insuficiente para o pedestre na área central; insuficiente em toda a cidade, para todos os tipos de veículos e pessoas.

- Radares em pontos contraditórios, que não promovem a segurança para os pedestres, por exemplo; e o uso em horários que não possuem acidentes graves. Em compensação, agentes de trânsito trabalham em finais de semana para assegurar o uso confortável de uma pedalada numa bela manhã de domingo, que não promove uma mobilidade sustentável adequada para os ciclistas da cidade, que esse sim, todos os dias precisam enfrentar um trânsito sem contar com mecanismos de segurança na via; Ora, se vai fazer isso, porque não usam os agentes para fazer campanhas educativas no local, com os condutores de veículos particulares, principalmente para respeitar os ciclistas no dia-a-dia?

- Proposta de diminuição de calçada na área central de Ribeirão Preto; calçadas danificadas pela cidade;

- Aprovação de projetos comerciais em locais impróprios, sem considerar pólos geradores de tráfego ou a situação atual do trânsito do local. O que demonstra a falta de integração entre planejamento, transporte e trânsito, sendo que o Planejamento é órgão direto do executivo e o transporte e o trânsito, indireto (TRANSERP). E assim, ciclovias e malha viária fica a cargo direto, do planejamento, enquanto que o transporte público, a sinalização, entre outras coisas, ficam como serviço indireto. Ou seja, são feitas como ações separadas, que deveriam ser feitas como um SISTEMA de circulação;

- Proibição de estacionamento em avenidas como a Franc. Junqueira, sem prever um uso adequado para o transporte público, como dar a esse uma via exclusiva;

- Permitir serviços nas vias em horário comercial, atrapalhando o fluxo não apenas dos veículos particulares, mas principalmente do transporte público que é obrigado a fazer seus itinerários junto com os veículos particulares, atrasando os horários de um veículo que leva 70 pessoas;



Esses são alguns pontos que deveriam ser revistos, discutidos pela sociedade com o executivo, que deveria enviar projetos de leis para a câmara municipal para se resguardar de ações futuras contrárias ao interesse da sociedade. Para os que querem defender o indefensável provando sua falta de ética, fazer o contrário desses pontos acima citados seria uma boa sugestão. Ou seja, já se torna uma sugestão fazer o contrário daquilo que se está sendo apresentado aqui como um equívoco (continuar como está já foi provado que é insustentável – vai esperar virar São Paulo?).

Enganam-se aqueles que acham (como os jornais) que Ribeirão Preto precisa de mais viadutos. Precisa é de uma política séria de Mobilidade Urbana Sustentável, incluindo aí um transporte público eficaz, que preste um serviço para a sociedade e não para o capital, apenas. Mas, também não sei o que pessoas pensam sobre isso e, assim, fiz nova enquete ao lado. Responda a enquete!